Autor Principal
Santos, Ana Lucia Vieira dos
Local da Publicação
Rio de Janeiro
Descrição Adicional
Seminário Internacional Psicologia e Projeto do Ambiente Construído
Resumo
Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa iniciada em 1996 com base na observação da população de rua na cidade do Rio de Janeiro, tendo por objetivo a análise de seu relacionamento com o espaço público urbano. Foram identificados padrões de ocupação do espaço, de demarcação do território e das relações estabelecidas entre esta população e os elementos que compõem o entorno imediato. Procurou-se identificar as maneiras pelas quais o morador de rua se serve de elementos construídos da paisagem para delimitar seu território. Ainda, buscou-se analisar a divisão do espaço apropriado em áreas especializadas, quando quartos, cozinhas e salas passam a ser sugeridos, seja pelo uso de barreiras físicas como caixas de papelão e mesmo móveis, seja pelo aproveitamento do próprio mobiliário urbano ou ainda pela simples varredura do piso. A pesquisa nos permitiu compreender que, destituídos do suporte espacial da casa, os moradores de rua desenvolvem um certo número de mecanismos de ajuste e compensação, suprindo suas necessidades básicas da territorialização, espacialização das estruturas familiares e de proteção. Verificou-se que o ambiente urbano adquire valor simbólico que persiste ao longo da ocupação pelos sem-teto, sendo, até certo ponto, legitimado pela população em geral.
Referência Temporal
1996 em diante