Autor Principal
Chinelli, Filippina
Local da Publicação
Rio de Janeiro
Palavras chave
Escolas de Samba
Jogo do Bicho
Movimento de Moradores e Associativismo
Resumo
Analisa o trabalho comunitário desenvolvido pela Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira na década de 1980. Como pano de fundo, aparece a transformação no relacionamento entre as escolas de samba e sua base social no que diz respeito às práticas assistenciais. Por um lado, ocorre uma gradativa despersonalização no relacionamento entre banqueiros do jogo-do-bicho e as escolas por eles patrocinadas. Por outro lado, os lucros auferidos a partir da fundação da Liga das Escolas de Samba, somados àqueles usualmente obtidos pelas Escolas, gerou uma disponibilidade financeira e liberou esforços até então concentrados no desfile da Marquês de Sapucaí. A experiência da Mangueira se caracteriza pelo alto grau de institucionalização, pela diferenciação interna - que corresponde a organizações formalmente independentes da escola -, pela participação da iniciativa privada e do poder público e pela não interferência político-financeira direta do jogo-do-bicho. O trabalho centraliza a sua análise nas implicações políticas desse conjunto de práticas, para demonstrar que elas se distingüem do assistencialismo tradicional e se constituem em projeto pedagógico que contribui para o processo de construção da cidadania das crianças e adolescentes mangueirenses. O texto conclui que o trabalho comunitário da Mangueira apresenta implicações políticas importantes na medida em que evidencia a disputa de espaço político com o tráfico de drogas e contribui para ampliar as possibilidades de barganha da escola no campo da política. Além disso, acredita que os projetos comunitários em geral também se constituem em recursos simbólicos e de poder que, ao ampliar a esfera de atuação das escolas de samba, contribuem para transformá-las em instituições emblemáticas que ultrapassam o carnaval e sua base social mais imediata.
Referência Espacial
Bairro/Distrito
Mangueira