Este trabalho constitui-se em um estudo de caso cuja preocupação é compreender as transformações espaciais decorrentes da apropriação do espaço pela atividade turística no município de Brotas/SP. Apropriação que se dá tanto no seu âmbito material quanto simbólico, resultando em marcas na paisagem que se tornam passíveis de leitura e interpretação. O processo de apropriação do espaço pela atividade turística em Brotas teve início no início da década de 1990, mais precisamente no ano de 1993, quando da instalação da primeira agência de turismo no município. Amparado na representação da natureza na sociedade contemporânea, sustentada nos ideais ambientalistas desenvolvidos no ocidente a partir do final da década de 1960, o turismo em Brotas foi se legitimando como uma atividade benéfica para o município, iniciando assim um processo de fetichização dos espaços naturais deste, fetichização esta que se estende para todo o município como constatamos por meio de entrevistas com turistas, moradores e por meio da análise da própria publicidade turística. Houve, portanto, a necessidade de discutir o processo que leva a atual representação da natureza na sociedade contemporânea ocidental que se inicia com a hegemonia do ideal racionalista e aos poucos é acrescida dos ideais românticos e naturalistas que emergem nos séculos XVIII e XIX (que vão servir de suporte para os projetos ambientalistas que emergem como forma de resolver os problemas ambientais contemporâneos) e a apropriação destes ideais e projetos pela publicidade turística, como forma de mercantilização da natureza e conseqüente apropriação dos espaços naturais. No caso de Brotas, podemos dizer que apropriação do espaço pela atividade turística se dá em locais isolados e, também podemos dizer que há um controle do desenvolvimento desta apropriação pelos agentes políticos locais, pelo menos por enquanto, visto que a atividade turística em Brotas mostra-se extremamente atrativa aos grandes investidores externos do setor. Devido à atualidade do fenômeno em Brotas, este estudo nos permite analisar o processo de fetichização do espaço pelo turismo também em seus princípios, visto que muito pouco do espaço foi transformado ainda. Assim como, nenhuma mudança foi sentida no habitus e costumes locais, o que denota uma também inexistente apropriação do modo de vida local, fato comum nos locais dos quais a atividade turística se apropria. Porém, em Brotas, esta apropriação mostra-se ascendente. Vemos que apropriação dos espaços naturais, especialmente, denota neste caso uma valorização do espaço rural, determinando uma nova lógica na apropriação dos espaços naturais e uma nova determinação de seu uso, que se desligaria de seu desenvolvimento histórico e passaria a ser determinada pela atividade turística. A apropriação do espaço urbano pela atividade turística também se dá de forma isolada, mas ascendente, a partir de alguns pontos da cidade de Brotas, valorizando estes espaços e determinando uma nova lógica de desenvolvimento destes locais, não mais determinado pela lógica de produção historicamente construída, mas com o objetivo de abrigar os serviços turísticos, determinando uma nova história para o município.
Representação da natureza, transformações espaciais e turismo em Brotas/SP
Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Aguiar, Paulo Henrique
Sexo
Homem
Orientador
Vitte, Antonio Carlos
Ano de Publicação
2005
Local da Publicação
Campinas
Programa
Análise Ambiental e Dinâmica Territorial
Instituição
UNICAMP
Idioma
Português
Palavras chave
Turismo - Brotas
Meio ambiente
Geografia física
Geografia humana
Resumo
Área Temática
Referência Espacial
Cidade/Município
Brotas
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
1993-2004
Localização Eletrônica
https://hdl.handle.net/20.500.12733/1601051