O artigo explora a relação entre resíduos e cidade a partir do prisma das infraestruturas urbanas e propõe o conceito de “infraestruturas residuais” como estratégia para analisar a dimensão residual, não hegemônica, que se constitui nos sistemas de gestão, enfocando processos de mudança que reconfiguram a infraestrutura operando a exclusão de elementos considerados à margem, apesar de sua centralidade prática. O foco etnográfico se volta para o “fechamento” do aterro de Jardim Gramacho, no Rio metropolitano, pensado como um “evento infraestrutural”, que mobiliza uma arena de disputa entre distintos atores e repertórios tecnológicos, configurando uma política dos resíduos. A noção de “pessoas como infraestruturas corporificadas” qualifica os catadores como sistemas sociotécnicos e descortina a persistência de colonialismos nos sistemas de gestão de resíduos modernos, que continuam moldando as geografias urbanas e (re)produzindo estruturas racializadas de desigualdade. A política catadora é então pensada como um socioambientalismo popular capaz de forjar modelos de cidadania e projetos de cidade alternativos.
Infraestruturas residuais: colonialismos na gestão de resíduos e a política catadora
Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Lima, Maria Raquel Passos
Sexo
Mulher
Código de Publicação (DOI)
https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2023.37107.005
Título do periódico
Estudos Avançados
Volume
37
Ano de Publicação
2023
Local da Publicação
São Paulo
Página Inicial
63
Página Final
52
Idioma
Português
Palavras chave
Resíduos
Infraestruturas
Sistemas sociotécnicos
Colonialismos
Produção da cidade
Resumo
Disciplina
Área Temática
Referência Espacial
Logradouro
Aterro de Jardim Gramacho
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Rio de Janeiro
Referência Temporal
1993-2012
Localização Eletrônica
https://www.revistas.usp.br/eav/article/view/219561