A "cidade-global" vem sendo difundida pelo mundo como o único modelo urbano capaz de garantir a sobrevida das cidades no "novo" contexto da "globalização da economia". Se esse modelo pode até mostrar-se de alguma eficácia no contexto das grandes cidades desenvolvidas, isso não ocorre, entretanto, nas grandes metrópoles periféricas, como no caso de São Paulo. A observação de dados empíricos da cidade mostra que ela não apresenta nenhum dos atributos típicos da "cidade-global": ela não se situa na rota dos grandes fluxos da economia global, não sofre de um processo de desindustrialização estrutural nas mesmas proporções do que as cidades desenvolvidas, não vê o "terciário avançado" se sobrepor aos outros setores da economia, etc. Entretanto, o discurso dominante do pensamento único neoliberal, que tem como paralelos urbanos as teorias da "Cidade-Global", do "Planejamento Estratégico" e do "Marketing de cidades", impõe um discurso ideológico pelo qual esses modelos seriam as únicas opções de urbanização aceitáveis para São Paulo. Apoiando-se nessa falsa realidade, os empreendedores urbanos da cidade conseguem canalizar os recursos públicos de forma a sustentar a construção, na região da Marginal do Rio Pinheiros, uma "centralidade global de negócios", desviando assim as políticas públicas das prioridades prementes ligadas à uma fratura sócio-espacial que não para de crescer. Assim, em uma cidade em que quase 50 por cento da população é privada dos direitos de cidadania mais básicos e não consegue sequer a incluir-se na dinâmica urbana da cidade formal, alguns grupos de empreendedores, associados ao Poder Público, conseguem criar uma "cidade dentro da cidade", verdadeira ilha de Primeiro-Mundo, pousada sobre uma matriz urbana na qual sobrevivem ainda as relações sociais arcaicas típicas do sub-desenvolvimento urbano de um país que ainda nem conseguiu vencer as dificuldades impostas por sua herança colonial. Uma análise mais pormenorizada mostrará que se trata de uma dinâmica de produção do espaço urbano muito próxima do modelo da "máquina d crescimento urbano" baseada em coalizões entre as elites urbanas locais e o Poder Público, e que não tem nada de "moderno", e muito menos de "global". São na verdade as tradicionais e arcaicas relações sociais típicas do "patrimonialismo" brasileiro que se reproduzem na escala urbana para garantir a hegemonia das elites sobre o processo de produção da cidade.
São Paulo: o mito da cidade Global
Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Ferreira, João Sette Whitaker
Sexo
Homem
Orientador
Maricato, Ermínia
Ano de Publicação
2003
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Estruturas Ambientais Urbanas
Instituição
USP
Página Final
343
Idioma
Português
Palavras chave
Subdesenvolvimento
Capitalismo
Globalização
Resumo
Disciplina
Área Temática
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
(N/I)
Localização Eletrônica
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