Este artigo pretende enfocar a paisagem do percurso da “Orla Conde” que margeia o renovado porto da cidade do Rio de Janeiro. A partir da observação participante, análises de discursos, retóricas publicitárias e imagéticas, nos permitimos analisar a enorme distância entre conceitos usados no contexto das reformas urbanas empreendidas e o que de fato há para se experienciar na paisagem circundante. Tal percurso tem como ponto de chegada uma recém inaugurada roda-gigante, cujo slogan publicitário nos convida para apreciar "a melhor vista da felicidade". Nosso recurso analítico é a descrição e a prática do percurso proposto e, ao fazê-lo, nos interrogamos sobre as possibilidades de flanar e de se encantar no espaço linear que propõe o trajeto fixo, apoiado numa linha projetual que não nos convida a desvios nem encruzilhadas e que nos conduz para um artefato de fantasia e de entretenimento direcionado apenas para o consumo visual da paisagem.