Os efeitos do crescente processo de urbanização, que se tem manifestado nos últimos cinquenta anos com o crescimento da migração das populações rurais e das pequenas cidades para os pólos urbanos regionais de desenvolvimento industrial e comercial, também expressam-se entre os povos indígenas que mantêm contatos antigos com a sociedade nacional. A cidade de Manaus, no coração da Amazônia, é um desses pólos, apresentando durante muito tempo um dos maiores ritmos de crescimento demográfico do país, concentrando um alto fluxo de migração extra e intra-regional, incluindo populações indígenas originárias de várias nações ou grupos como, por exemplo, Tukano, Apurina, Mura, Munduruku e Sateré-Mawé.
Os problemas que se manifestam em Manaus, em tomo dos conflitos que sofrem os migrantes indígenas, remetem-nos aos fenômenos de "etnicidade” em áreas urbanas. A etnicidade é entendida como um conceito que cobre uma gama de fenômenos relativos a comportamentos e crenças de agentes condicionados pela situação de membros de povos ou etnias inseridas em sociedades receptoras.