São José dos Campos e das vocações: uma análise do ideário empreendedor como projeto de competitividade urbana a partir da década de 1990

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Machado, Pedro Henrique Faria
Sexo
Homem
Orientador
Veras, Maura Pardini Bicudo
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Ciências Sociais
Instituição
PUC/SP
Idioma
Português
Palavras chave
Competitividade urbana
Planejamento urbano
São José dos Campos
Empreendedorismo
Resumo

A presente pesquisa investiga os alcances e limites do ideário empreendedor na cidade de São José dos Campos, enquanto projeto de competitividade urbana voltada a atrair melhores investimentos para a cidade. A partir de um recorte entre 1990 e 2010, buscou-se em fontes documentais e bibliográficas, em especial nos cadernos especiais de aniversário da cidade de São José dos Campos, produzidos pelo jornal de maior circulação da região, o Vale Paraibano, ações e estratégias discursivas da governança da cidade no sentido de aumentar o quociente de capital simbólico coletivo em torno de uma marca distintiva para a cidade a partir de uma suposta “vocação empreendedora”.

Tais esforços, sob forte influência do planejamento estratégico urbano de origem catalã, se deram em um contexto de desdobramentos da crise econômica vivida no país na década de 1980, refletindo em alto desemprego do setor industrial da cidade. Não se trata, porém, da primeira vocação alegada à cidade com vistas a encontrar alternativas econômicas ou superar crises financeiras. Na primeira metade do século XX, apesar da falta de consenso com relação ao clima e a sabida impureza de suas águas, por meio do esforço dos médicos locais em divulgar as “boas qualidades” da cidade, São José dos Campos torna-se estância climática hidromineral, consolidando a “vocação sanatorial” da cidade, enquanto alternativa para desenvolvimento econômico local.

Já na segunda metade do século XX, com o advento da penicilina e o tratamento da tuberculose passando a ser ambulatorial, a instalação do Centro Técnico de Aeronáutica (CTA), a inauguração da rodovia Presidente Dutra e, posteriormente, a instalação da Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A (Embraer) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), há um esforço da governança local em divulgar a “vocação industrial” da cidade, aumentando consideravelmente seu parque industrial.

A reestruturação produtiva ocorrida a partir da década de 1990, sentida principalmente no setor bélico e aeronáutico da cidade, resulta em um alto número de demissões do setor industrial, inclusive da Embraer, que tem em seus aviões um dos principais símbolos da “vocação industrial”. Argumentamos que o esforço da governança local em criar uma “vocação empreendedora” para a cidade se deu a partir de duas ideias centrais e articuladas: a de que “a cidade é empreendedora” e a de que “o joseense é empreendedor”, buscando não apenas aumentar a competitividade urbana, mas fazer do empreendedorismo uma marca reconhecida da cidade em um “mercado das cidades”.

Se as diversas ações realizadas na cidade corroboram com a primeira ideia, o mesmo não se pode dizer com a segunda. Neste sentido, São José dos Campos apresenta taxas de empreendedorismo inferiores às do estado de São Paulo, da região metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte e, a depender da métrica, do Brasil. Tal argumento, que valoriza o auto-iniciativa e coloca os sujeitos como principais responsáveis pelo seu emprego, por sua vez, tem papel fundamental enquanto elemento de coesão em torno de um mesmo projeto de cidade e seus desdobramentos.

Disciplina
Referência Espacial
Região
Vale do Paraíba
Cidade/Município
São José dos Campos
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
1990-2010
Localização Eletrônica
https://oasisbr.ibict.br/vufind/Record/PUC_SP-1_425ec010447ad141ceb203877fb123c8